Publicado por: alinebitencourt | junho 22, 2009

Chorões do DF já podem dar gargalhadas

 A ampliação do atual Clube do Choro, entre outros caminhos, chegará também à Universidade de Brasília

 

 

 

 

O Clube do Choro de Brasília, fundado em 1977 por servidores públicos cariocas, poderia ter sua própria biografia. Não é gente, mas tem bastante história para contar. Não faltariam casos para preencher páginas e mais páginas de uma obra que contaria não só a sua história, isoladamente, mas o relato da própria construção de Brasília, sob o ponto de vista cultural. “É um absurdo, Brasília nunca teve uma escola de Choro, rapaz”, aponta o presidente do Clube do Choro, Reco do Bandolim.

Henrique Lima Santos Filho, jornalista e músico, foi carinhosamente apelidado pela família e, posteriormente, por todos como “Reco do Bandolim”. Baiano por natureza e brasiliense de alma e coração, que deu seus primeiros acordes numa guitarra interpretando clássicos do rock, descobriu o bandolim, instrumento com formato de pêra e costas abauladas, que possui 8 cordas agrupadas duas a duas, depois de ouvir Jacob Bitencourt e de ver Armandinho – cantor, instrumentista e compositor baiano – tocar. Quando assumiu a presidência do Clube do Choro, em 1993, o instrumentista encontrou o espaço, que na época era o vestiário do Centro de Convenções de Brasília, totalmente abandonado e habitado por mendigos. O seu primeiro trabalho, portanto, foi recuperar o local e transformá-lo numa escola de choro viva, tomando como exemplo o padrão das escolas de jazz e blues norte-americanas.

As dificuldades, no entanto, não pararam por aí. Por muitas vezes, o atual presidente investiu recursos próprios e tocou com o seu grupo insistentemente para que o clube não fosse despejado pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Por esse motivo,  Reco tornou-se a principal referência pela existência do Clube do Choro de Brasília.

No ano de 1995, Reco do Bandolim e Raphael Rabello, violonista brasileiro conhecido internacionalmente, iniciaram a elaboração do novo projeto do Clube do Choro. Infelizmente, Rabello não pôde dar continuidade ao trabalho já que, no mesmo ano, faleceu precocemente aos 32 anos de idade, vítima de contaminação do vírus HIV. Após muita dificuldade junto a órgãos do Ministério da Cultura, Reco do Bandolim, com o apoio de outros entusiastas, conseguiu em 1997, a aprovação do projeto. A Escola de Choro recebeu o nome de Raphael Rabello como forma de homenagem ao amigo e músico falecido.

Atualmente com 514 alunos, a Escola de Choro molda o seu tipo de ensino a partir do estudo de clássicos do gênero, tais como: Pixinguinha, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, entre outros. Nesse sentido, a proposta é fazer com que os alunos se sintam conhecedores das raízes da verdadeira música brasileira. “O choro aqui é bem mais reconhecido do que no próprio Rio de Janeiro”, orgulha-se o presidente. 

O Clube do Choro da capital federal terá nova cara a partir do segundo semestre de 2009. O projeto assinado por Oscar Niemeyer prevê uma ampliação tanto das salas de aula quanto do espaço onde acontecem as apresentações e se chamará “Espaço Cultural do Choro”. O lugar pretende preservar o clima intimista de hoje, apesar de o espaço de shows ser ampliado de 300 para 450 lugares. De acordo com Reco, o palco baixo e o público próximo aos artistas da cidade “são a cara do clube” e isso será conservado.

Antes do início das apresentações, quem entra no Clube do Choro acredita que assistirá ao show com um pouco de dificuldade, como geralmente acontece por conta das conversas descontraídas das pessoas e de celulares que atrapalham a apreciação. Porém, quando Reco do Bandolim sobe ao palco, o silêncio se torna unânime. Ele faz questão de abrir os shows, o que torna a relação de proximidade entre o presidente da casa e o público muito forte. Reco pede silêncio nas aberturas e ressalta que “o prato principal do Clube do Choro é a música”. O público entende a proposta, mostra-se educado e aproveita cada segundo do ambiente aconchegante. Segundo o presidente, o Clube do Choro de Brasília é o único lugar que quando a música começa as pessoas se silenciam. A atenção da plateia realmente é voltada às apresentações. Não podia ser diferente, já que os banners, painéis e pinturas temáticas nas paredes valorizam a idéia intimista do ambiente. Mais que isso, o serviço de alimentação oferecido, composto pela mistura entre tira-gostos, caldos e cerveja, junto às mesas de madeira e pouca luz, compõem um clima aconchegante aos apreciadores dos chorões.

Todavia, esse clima familiar é sentido apenas no espaço reservado aos shows. As salas de aula são precárias e dificultam o aprendizado dos alunos. Segundo Caio Paiva, ex-aluno da escola, “os grandes problemas da estrutura atual são a precariedade do espaço-físico e a grande proximidade entre as salas de aula, o que dificulta a concentração”. Para ele, o que prende os alunos às aulas é a qualidade dos professores, o método de ensino, a troca de experiência entre as pessoas e a expectativa dos benefícios que a nova sede poderá trazer. Apesar dos problemas estruturais, o seu desligamento da escola aconteceu por falta de tempo. Mas ele confessa, “eu me sentiria mais motivado a arranjar tempo se tivéssemos uma estrutura melhor”. Em contrapartida, o ex-aluno destaca que uma vez por mês (aos sábados, impreterivelmente) os alunos fazem uma roda de choro. Nesse dia todos se reúnem para tocarem juntos e fazem uma roda com todos os instrumentos. “Esse é um momento de puro aprendizado e confraternização entre alunos e professores. A união entre as pessoas faz com que o clima seja de puro entusiasmo e alegria”, diz. 

As obras que começaram em dezembro de 2008 darão lugar à nova sede, o Espaço Cultural do Choro, localizado no Setor de Difusão Cultural, no Eixo Monumental, ao lado de onde funciona o atual Clube do Choro. De acordo com Reco do Bandolim, o novo espaço terá o dobro de professores e alunos. “Temos, muitas vezes, que recusar inscrições porque o espaço é insuficiente”, afirma. Envolvido há anos com o Choro, Reco idealiza mudanças para a instituição, mas não quer perder a identidade do estabelecimento. “Nós procuramos abrir espaço para os talentos desconhecidos também. Eles mandam e-mails, vídeos e cd’s, nós selecionamos e cedemos o ambiente. Eu me sinto na responsabilidade de abrir espaço para quem não está na mídia”, ressalta. 

O engenheiro civil Alexandre Betioli, responsável pela construção da nova sede do Clube do Choro, afirma que a obra está dentro do prazo – que segue até outubro deste ano. Segundo ele, o atual governador do DF, José Roberto Arruda, havia feito um pedido sobre a possibilidade de terminar a obra antes da data prevista, para que o novo espaço musical fosse inaugurado junto ao aniversário de 49 anos de Brasília, em abril de 2009. No entanto, não foi possível. De acordo com Betioli, “imprevistos encarecem e atrasam a obra”. “Tivemos problemas com a locação de terreno, interferências de árvores que não podiam ser retiradas, imprevistos como cisternas e até uma pista de dança que nós não esperávamos que existisse”, completa. De todo modo, a inauguração do espaço deverá acontecer no próximo aniversário de Brasília, em 2010, quando a cidade completará 50 anos.

Pelo fato de o Clube do Choro ser um local familiar, existe o medo de que com a nova sede, maior e melhor dividida, o espaço se transforme em uma sala de espetáculos. Caio Paiva, no entanto, não acredita nessa possibilidade. “A nova sede só melhorará a relação entre aluno e professor. O que faz o clube do choro ser um local intimista são as pessoas e não a estrutura”, comenta.

O espaço que atualmente é utilizado como sala de aula será transformado em luteria, ou seja, local destinado à fabricação e conserto de instrumentos. Dessa maneira, o ensino será ainda mais completo, tendo em vista que o aluno terá a oportunidade de acompanhar o processo do início ao fim – da fabricação à especialização.

A grande novidade é que o Clube do Choro já possui um acordo firmado com a Universidade de Brasília que visa inaugurar o primeiro Curso Superior em Choro do Brasil (Faculdade de Música – UnB). De acordo com Reco, “as conversas” já estão bem adiantadas. A notícia beneficiará as pessoas que desejam obter conhecimento mais aprofundado sobre o estilo musical, já que contará com cerca de quatro semestres cursados no próprio Espaço Cultural do Choro, com extensão na UnB.

“Os maiores músicos do Brasil pedem para tocar aqui”, envaidece-se Reco do Bandolim. Por outro lado, o mais encantador é que músicos pouco conhecidos da capital do rock despontam tocando chorinho. Como exemplo de sucesso, o presidente destaca o Trio Cai Dentro, formado pelos jovens Henrique Neto (violão de sete cordas), Rafael dos Anjos (violão de seis cordas) e Márcio Marinho (cavaquinho), que também são professores da escola. Instituições sérias que ensinam choro modificam a imagem do país. “Em qualquer lugar que você chega, as pessoas babam pela música brasileira”, declara.

Uma biografia que retratasse com fidelidade o que é o Clube do Choro de Brasília certamente teria em seu conteúdo várias passagens de sucesso que a mídia brasileira, até então, não enxergou como talento em potencial. “O marketing é muito perverso. Existe muito lixo musical produzido que ocupa o espaço de pessoas que têm talento”, conclui aquele que transformou um velho vestiário em um ambiente altamente criativo.

  • Para maiores esclarecimentos, ligue: (61) 3225-2761
  •  Para conhecer o regulamento da Escola de Choro Raphael Rabello e obter informações sobre os cursos oferecidos, acesse: www.clubedochoro.com.br

 

Planta baixa do Espaço Cultural do Choro.

Planta baixa do Espaço Cultural do Choro.

 

Salas de aula do atual Clube do Choro.

Salas de aula do atual Clube do Choro.

 

Andamento das obras do Espaço Cultural do Choro em junho/2009.

Andamento das obras do Espaço Cultural do Choro em junho/2009.

 

Andamento das obras do Espaço Cultural do Choro em junho/2009.

Andamento das obras do Espaço Cultural do Choro em junho/2009.

 

A arquitetura da nova sede favorecerá a acústica e distribuirá melhor o espaço.

A arquitetura da nova sede favorecerá a acústica e distribuirá melhor o espaço.

Publicado por: alinebitencourt | dezembro 12, 2008

1968 aos olhos de Chico

 

 

 

 

Chico Buarque durante a gravação do documentário “Vai Passar”

Chico Buarque durante a gravação do documentário “Vai Passar”

 

1968 foi um ano de muitas mudanças em todo o mundo e ficou conhecido por muitos como “A era de aquário”. Foi um período em que as drogas passaram a ser uma de tentativa de se libertar. Em que a mini-saia mexia tanto com a liberdade quanto com o estilo da época. Esse período, enlouquecedor para o regime político, fez surgir uma série de “sábios”. Poetas que ousavam em suas palavras, mexendo com o imaginário social. Por ter consagrado nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque e por atingir mais facilmente a população, a música foi um destaque na época.

Francisco Buarque de Holanda conta sobre o que vivenciou no período da ditadura. No documentário “Vai Passar”, dirigido por Roberto de Oliveira, fala abertamente sobre o assunto. Chico começa o documentário falando: “Não, eu não guardo mágoa nenhuma. Não me posiciono como vítima de coisa alguma”.

O cantor conta sobre o decreto do AI-5, quando a liberdade de imprensa foi vetada. A ditadura prendeu o compositor e, após soltá-lo, deixou um aviso para que ele não deixasse o Rio de Janeiro sem autorização de um militar. Ele tinha marcado uma viagem para Cannes (França) e outra para Roma (Itália). “Alguns dias entre o AI-5 e a minha partida, a gente não tinha muita notícia de nada. Via uma boataria solta. A gente se encontrava nos bares, e tal. Fulano foi preso! Fulano foi preso! Não, não foi”, recorda.

Em depoimento, Chico Buarque afirma que considera a ditadura injusta. “A verdade é o seguinte… A ditadura encheu bastante o meu saco, mas eu também ‘enchi’ o saco deles”, comenta. Os anos que passaram, devido ao golpe de 64, deixaram muitas seqüelas, e o próprio compositor fala da repressão e das torturas.

Chico diz que não foi torturado e conhecia pessoas que foram exiladas. Caetano, seu amigo, foi exilado na Inglaterra por ter atacado o governo. Afirma que, quando foi para Roma, não era comum encontrar brasileiros. Quando os via, era difícil saber de que lado estavam. Segundo ele, havia sempre uma desconfiança.

Em 1967, Chico Buarque ficou em terceiro lugar no III Festival de Música Popular Brasileira com a música “Roda Viva”. E, em 1968, em segundo lugar com a música “Benvinda”. No mesmo ano, a música “Sabiá”, cantada por ele e Tom Jobim, ganhou o Festival Internacional da Canção. Foi vaiada, apesar de ficar em primeiro lugar. Os brasileiros queriam que a música “Pra Não Dizer Que Não Falei De Flores”, de Geraldo Vandré, ganhasse o festival, mas esta conseguiu o segundo lugar.

Chico escreveu várias canções julgadas impróprias pelo governo, entre elas está “Cálice”, escrita com Gilberto Gil, e “Vai levando”, parceria com Caetano Veloso. A imprensa criou uma divisão e, após 1968, Gil, Caetano e Chico seguiram caminhos diversos.

 Quando se pergunta para as pessoas que viviam na época, como eram os cantores, elas têm opiniões muito semelhantes. Falam que Caetano e Gil eram “muito doidos” e que Chico era mais sutil com as palavras. Talvez, por isso, ele não tenha sofrido tão diretamente as conseqüências da época. Mas é possível identificar as mudanças em sua música. Essa diferença de ‘doido’ para ‘sutil’ pode ser devido ao Tropicalismo ser mais inovador.

O Tropicalismo surgiu desvinculando um Brasil antigo que ouvia bossa nova, para um novo, ligado ao popular brasileiro. Segundo Chico Buarque, esse novo estilo musical era muito diferente do que agradava a ele, Gilberto Gil e Caetano Veloso, um ano antes. Ele acredita que isso se deve ao fato serem muito influenciados por Tom Jobim e outros cantores e compositores. “Eu não estava preparado para isso” disse em entrevista a uma rádio de Roma.

Havia antes do ano das transformações uma sociedade acostumada com a vida predestinada. Era um mundo regido pelos genitores e eles decidiam o futuro de seus procedentes. Desta data em diante, o mundo foi dançando conforme a música, cantando como manda o instinto de libertação.

1968 foi o início das repressões e das revoluções. Foi uma preparação para os 10 anos que viriam. Depois dessa data, o general Emílio Garrastazu Médici entrou no poder. Esse período ficou conhecido como “os anos negros da ditadura”.

Publicado por: alinebitencourt | dezembro 5, 2008

Ética e responsabilidade da imprensa

jornalA necessidade de informação no mundo atual faz do jornalismo uma profissão essencial para o cotidiano. Essa necessidade acaba fazendo alguns jornalistas forjarem suas matérias em busca de notícias e expectadores. O caso Glass trata desse assunto.

O jornalista Stephen Glass, estava tentando conciliar o trabalho de jornalista com a faculdade de direito. Ele passou a forjar suas matérias por não conseguir escrevê-las a tempo. Na redação da revista a qual trabalhava a New Republic, ao verificar as fontes das reportagens de Glass, perceberam a fraude e a revista o demitiu. Glass concorda com as acusações feitas contra ele perante o tribunal. Num total de 41 artigos feitos por Glass, 21 foram idealizados por ele. A revista teve que pedir desculpa aos leitores.

Aconteceu quase o mesmo no programa Domingo Legal, do apresentador Gugu Liberato, no Brasil. Criaram uma falsa ameaça de morte. Entre os “marcados para morrer” estava o padre Marcelo Rossi. O caso foi abafado e o apresentador continua tendo seus horários aos domingos.

Situações como essas criam uma dúvida: deve-se fazer tudo por uma reportagem? O trabalho do jornalista é relatar os fatos de forma clara e objetiva. Não deve criar histórias para chamar a atenção das pessoas. Quem inventa histórias é chamado de escritor ou de contador de histórias.

O caso Welles também trata desse assunto, mas por um outro ângulo. A Europa estava em guerra, o ator e radialista Welles se aproveitou da situação. Simulou uma guerra de Marte contra o planeta Terra. O rádio foi o meio de comunicação utilizado. Welles criou ruídos, gritos e testemunhas. Quanto mais pessoas sintonizavam a rádio mais acreditavam na história.

Ninguém havia se preocupado em mudar de estação. As ruas dos Estados Unidos estavam um caos. A farsa acabou. As autoridades tentaram tomar providência, mas Welles argumentou que havia avisado no início do programa que tudo era uma encenação do livro “A guerra dos mundos” do escritor inglês H. G. Wells.

Welles não rompeu com a ética jornalística, porque o objetivo dele ao contar a história era provar que as pessoas podem ser facilmente manipuladas pelos meios de comunicação em massa.

A ética jornalística deixa de existir quando se enganam as pessoas. Se o engano é feito para justificar um mal maior, passa a ser responsabilidade jornalística.

Publicado por: alinebitencourt | dezembro 5, 2008

Shattered Glass

 

Stephen Glass
Stephen Glass

No final dos anos 90, o jornalista Stephen Glass passa por um momento difícil em sua carreira. Seus pais sonhavam com o filho fazendo direito. Sem conseguir conciliar a faculdade com o trabalho, começa a desacreditar que conseguiria fazer uma boa matéria. O jornalista escreve sua matéria e a publica. O editor Chuck Lane percebe falhas no contexto da reportagem e resolve verificar a procedência dos fatos.

À medida que procura as informações contidas na reportagem de Glass, Lane verifica mais incoerências — lugares inexistentes, horários inválidos. Tentando provar a veracidade da matéria, Glass passa o número de sua principal fonte para o seu editor chefe.

Chuck, por sua vez, não conseguiu entrar em contato com a fonte. Glass fala que era sempre a fonte que ligava para ele e que e quando ele fazia a ligação caia na secretária eletrônica.

Chuck Lane descobre toda a falsificação e o demite. E, após o feito, Chuck passa a desacreditar nos outros artigos criados pelo jornalista.

Após verificar, pergunta para Glass quais matérias ele forjou. Eram 27 artigos num total de 41 que ele havia escrito. Glass passa a ser advogado e escreve um livro sobre um jornalista ambicioso que inventa artigos para poder se dar bem no trabalho.

Publicado por: alinebitencourt | novembro 26, 2008

Entrevista na integra com Julia Almeida de Menezes

      Julia Almeida de Menezes, 18 anos, é estudante do primeiro semestre de jornalismo no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB). Ela conta sobre a escolha profissional que fez, ansiedades antes de uma apresentação e estimativas para o seu futuro.

Jornalista: Você pretende seguir a carreira de jornalismo. Estou certa?

Julia: Na realidade, eu não tenho certeza. Eu sei que estou adorando o curso, mas é muito cedo para definir o que eu quero ser pro resto da vida. Foi um passo importante escolher uma faculdade, mas tem muito chão ainda pra ter a certeza de que isso é a minha vocação.

Jornalista: Quais foram os pontos que a motivaram para fazer faculdade e não um concurso público ou conhecer outros países, já que é tão jovem ainda?

Julia: Eu até pensei em ir para fora do país. Com certeza seria uma experiência incrível. Mas acho que hoje em dia devemos nos profissionalizar o mais rápido possível, pois o mercado está cada vez mais concorrido. Quem sabe depois da faculdade…

Jornalista: Se você não fizesse jornalismo que carreira gostaria de seguir?

 

Julia: Se eu não fizesse jornalismo, eu gostaria de trabalhar em alguma coisa relacionada à biologia, ao meio ambiente, enfim. Mas se fosse pra seguir essa carreira, gostaria de sair de Brasília e morar no litoral.

Jornalista: Você não é uma estudante em tempo integral, não é mesmo?O que você faz no seu tempo livre?

 

Julia: Eu uso o meu tempo livre para escrever nos meus blogs e consultar as novidades da internet. Fora isso, eu malho e assisto dvds de shows sempre que possível.

Jornalista: Soube que você era dançarina de dança do ventre. Chegou até a participar de um grupo. O que te fez parar de dançar?

Julia: Eu parei porque o grupo não tinha apoios fixos e, como as bailarinas que arcavam com todas as despesas, ficava muito caro ter a faculdade e manter o grupo de dança. Mas sinto muita falta, Muita mesmo!

Jornalista: Ficava muito nervosa quando ia apresentar em público?

 

Julia: Demais. Nem sei como tinha coragem de apresentar. Nesse ano mesmo, sofri uma que na primeira das dez apresentações que fiz no SESC. Foi horrível. Fiquei morrendo de vergonha. Mas depois as pessoas me trataram com tanto carinho que eu até parei de pensar nisso.

Jornalista: Se te convidassem hoje para fazer uma apresentação e voltar a dançar, aceitaria a proposta? Por quê?

Julia: Ah, eu aceitaria. Apesar do nervosismo, eu me sinto muito bem depois dos primeiros segundos de música.

Jornalista: Como você se imagina daqui a 10 anos?

Eu gostaria de realizar aquele sonho clichê de estar casada, morando na minha própria casa e trabalhando fora. Também gostaria de conhecer a Irlanda. Deve ser um lugar maravilhoso. Além disso, me imagino como mãe, me descabelando com meus filhos pelos mesmos motivos que hoje a minha mãe se descabela por mim. [risos]

Jornalista: E daqui a um ano?

Julia: Daqui a um ano eu me imagino um pouco mais decidida em relação ao futuro e à profissão de jornalista. Pretendo estar trabalhando e ter voltado para a dança.

Publicado por: alinebitencourt | novembro 26, 2008

Juventude de 68

       A obra apresentada é “1968, O ano que não terminou”, escrita plivro-68or Zuenir Ventura (Editora Nova Fronteira, 1988, 159 páginas, Rio de Janeiro). Ele é jornalista e escreve para o jornal O Globo e para a revista Época. No Jornal do Brasil, foi editor do Caderno B e criador do suplemento “Idéias”. Repórter, redator e editor em diversos jornais e revistas, Publicou “1968” e Cidade Partida.

      Zuenir mostra em sua obra o movimento de toda uma geração que se envolveu com drogas e proclamou uma revolução sexual, contando fatos e citando nomes, como Bigode, Cesinha, que contribuíram com a virada mundial de 1968, e críticos, como Nelson Rodrigues, que satirizava essa geração da liberdade sexual. O texto gira em torno de depoimentos de pessoas que viveram no período. A obra começa em 1967, quando o país começava a idealizar uma luta de classes. A literatura ganhava forças e o movimento estudantil passava a se reorganizar após o golpe de 64.

      O “Réveillon da casa da Helô” foi o marco inicial para a luta de 68. As pessoas que se destacariam, bebiam, conversavam e discutiam sobre o ano que começava. 1968 seria de luta por objetivos. A nova geração que se estabelecia recriava um modo de viver, deixando para trás tudo aquilo que não os agradava. Eles viraram o mundo de cabeça para baixo. Queriam a liberdade.

      O primeiro “casal moderno” teve a sua aparição naquele dia: Maria Lúcia (atriz) e Gustavo Dahl (cineasta). O que era considerado pela maioria uma traição, para eles, desde que não houvesse paixão ou mentiras, era permitido. O fato é que esse e mais outros 17 casamentos, modernos ou não, tiveram fim devido àquela esta festa.

      A sensualidade e sexualidade marcaram de fato a época que estava para começar. O “Réveillon da casa da Helô” é uma prova disso. Estava começando uma liberdade sexual, buscada principalmente pelas mulheres que queriam deixar para trás o tão “certinho” casamento burguês. A criação da pílula anticoncepcional ajudou a fortalecer essa idéia.

      Os grupos da época eram curiosos. Queriam experimentar. A militância de 68 foi muito descriminada, principalmente quando aliavam a política com o homossexualismo, e quando havia o uso de drogas, esses eram ainda mais desprezados.

      Nessa época, havia quem acreditasse que o homossexualismo era uma “doença da burguesia”. Acreditava-se que as drogas eram uma maneira de se libertar, um “ato ideológico”. Eles acreditavam que a Revolução partiria dalí.

      Frutos do golpe de 64, de pessoas que lutaram, foram exilados e torturados. Em maio de 68, os jovens do mundo todo estavam iniciando uma revolução. Eram movidos pelo desejo de mudança. Uma geração com pouca idade, chegando a ter no máximo 30 anos em sua maioria, queria se libertar da obrigação imposta pela família até então.

      A geração foi tema de diversos cronistas e críticos. E, como mencionado no livro pelo filósofo José Américo Pessanha, talvez tenha sido a última geração literária do Brasil. Mesmo com o cinema e o rock já fazendo uma grande influência nesses jovens, a base intelectual já estava formada pelos livros.

      A bíblia dessa época para os estudantes esquerdistas era A revolução brasileira, de Caio Prado Júnior, quecriticava a posição oficial do PCB dando o Brasil ainda como um país com resquícios feudais”.

      Encabeçando a nova geração estava Herbert Marcuse. Nas livrarias, esgotara-se 1.500 exemplares de seu terceiro livro, “Materialismo histórico e existência”, em poucos dias. Segundo o jornalista Paulo Francis, editor do 4° caderno do Correio da Manhã, Marcuse entendeu rapidamente o mundo capitalista.

      Zuenir trata da cisão política da esquerda. Existiam dois grupos que tentavam uma revolução. Um na base da força e a outra (PCB) tentava um processo lento, resultado da sociedade civil e da acumulação de forças. Ambos percebiam a queda do capitalismo e lutavam pelos ideais.

      Zuenir conta de uma maneira a relatar fatos e acontecimentos o que vários anos não deixaram apagar, dando ênfase aos personagens mais ilustres da época, contando a participação de cada um nesse ano de mudanças.

      Vladimir Palmeira, presidente da UME,  por exemplo, se preocupava em respeitar o movimento estudantil e diminuir o teor político dos discursos. Acreditava que os estudantes eram um apoio ao movimento. Ao contrário dele, Luís Travassos, presidente da UNE, acreditava justamente na politização da luta estudantil e em uma aliança em que os estudantes atrairiam os operários e os camponeses para lutarem pelo socialismo.

      Zuenir fala que os ídolos da época, Chico Buarque, Caetano Veloso e até os Beatles, eram do universo musical e, de fato, a música teve grande influência nesse período. A música era uma amostra do que vivia a geração de 68.

      Nesse período, a arte denunciava. E essas denúncias tinham seu preço. Os militares proibiam apresentações de peças teatrais e impediam os artistas de exercerem seu trabalho. Então, tudo era motivo para se queixar da ditadura.

      O autor reserva um capítulo para falar sobre o ocorrido na missa de sétimo dia do jovem Edson Luis, que morreu graças à ação dos militares. Sua morte indignou o país e teve quem ousasse dizer “Mataram um estudante. E se fosse um filho seu?” A cavalaria estava na frente da igreja preparando um encurralamento. E assim foi feito quando as pessoas se preparavam para voltar para casa.

      Os jovens dessa época organizavam passeatas para tentar se livrar da opressão. E, como símbolo da nossa legítima ditadura, a política armada, revidava com bombas de gás. Até a menor das passeatas exigia planejamento e organização.

      O governo brasileiro temia a possibilidade de acontecer o que aconteceu no maio francês. Eles acreditavam que existia uma troca de informações estudantis. Assim, acreditavam, o que aconteceu na França, logo aconteceria no Brasil. Os estudantes desafiavam a autoridade dizendo que seria muito pior. E, de fato, na sexta-feira todos resolveram atacar a polícia. Jogavam tudo o que tinham em mãos para lutar contra eles.

      Vladimir Palmeira, que estava sendo perseguido pela polícia, saiu de casa após um mês. Estava diferente de como era visto. Estava arrumado. Ele falou para uma multidão sentada e colocou em votação a tentativa de formar uma comissão que libertaria os estudantes presos nas últimas manifestações. Essa “reunião” ficou conhecida como a Passeata dos 100 Mil. Depois desse ocorrido, os estudantes continuavam a bater de frente com as autoridades.

      A CIA sabia que todas essas manifestações populares iriam ajudar a aprofundar as divisões no meio militar. Ela era bem informada, por isso tinha certeza do que iria acontecer.

      É citada a invasão na UnB que, segundo Zuenir, causou um enorme trauma à população da capital federal, principalmente entre os parlamentares. Nesse período, o deputado Márcio Moreira Alves fez um discurso no Congresso Nacional que “serviu apenas para colocar o seu autor no primeiro lugar da lista de execução”. Usou na tribuna expressões inoportunas e propunha uma greve de sexo como na peça “Lisístrata”, que ele acabara de ver.

      Zuenir relata com clareza o desfecho do ano. Esse foi o ápice da crise. A censura decretada pelo AI-5 viria a durar 10 anos a partir de uma sexta-feira 13. Antes de terminar a reunião que era o marco inicial do AI-5, a notícia chegou à Câmara dos Deputados. E, dez anos depois, quem votou a favor estava insatisfeito. A arte foi de fato vetada nos longos 10 anos do AI-5. O ato já era um fato antes mesmo de ser votado, pois a censura já havia “dado as caras”.      Com o Congresso Nacional fechado, o presidente tinha plenos poderes. E foi no governo de  Ernesto Geisel, em 1978, que as forças democráticas no Brasil forçaram o regime militar para a abertura política. Depois disso, o governo militar passou a falar sobre abertura política. Tudo ocorreu devido à força da juventude de 68.

 

Passeata dos 100 mil
Passeata dos 100 mil

Aline Bitencourt Carvalho

 

 

 

 
 
Publicado por: alinebitencourt | outubro 29, 2008

A falsa guerra

            Era uma época de muita tensão no mundo todo. A Europa estava em guerra e havia a possibilidade dessa guerra tomar dimensões mundiais. No meio de tantos conflitos, um jovem jornalista resolveu pregar uma “peça” na população dos Estados Unidos da América (EUA).

            A sua teoria era de que a população era facilmente manipulada pelos meios de comunicação em massa — o rádio na época. Para provar a sua tese, Welles simulou uma invasão alienígena, tendo como base o romance homônimo do escritor inglês H. G. Wells, chamado A Guerra dos Mundos.

            Welles planejou e montou a dramatização, e quem sintonizou na rádio antes dele contar a história ficou sabendo que não passava de encenação. Ele jogava informações, contava fatos e chegou a dizer que via objetos caindo do céu. Intercalava as cenas com músicas como na programação normal de uma rádio.

            A todo momento, ouvintes ligavam o rádio e sintonizavam a estação e quanto mais envolvente estava a história, mais o público acreditava. O desespero dos atores, as entrevistas com as “testemunhas” e os barulhos feitos no estúdio foram sem dúvida uma grande contribuição para dar credibilidade à narrativa.

             A população, atordoada, saía de casa na esperança de se salvar. As estradas ficaram lotadas. Não tinha mais para onde ir. Foi quando acabou o programa e Welles disse do que se tratava.

            O governo, tentando acalmar a população, exigiu explicações para o jornalista que as deu sem hesitar. Disse quais eram suas intenções e não teve punição.

            O caso Welles tornou-se conhecido mundialmente e o livro A Guerra dos mundos alcançou a marca dos mais vendidos.

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